A sustentabilidade constitui, atualmente, uma das prioridades globais mais prementes do século XXI. Este conceito traduz-se na capacidade de satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades.
Nos últimos anos, a crescente relevância das questões ambientais, sociais e de governança — conhecidas pela sigla ESG — têm moldado a sociedade, os modelos de negócio e a regulação da economia global. Esta evolução tem implicações cada vez mais significativas para o setor da saúde, incluindo o setor das farmácias comunitárias. A sustentabilidade é um pilar essencial para garantir que as farmácias continuam a prestar serviços de excelência, minimizando o impacto ambiental, maximizando o impacto social e promovendo uma cultura de responsabilidade e inovação.
As farmácias comunitárias, enquanto espaços de saúde de proximidade e confiança, têm um papel fundamental na promoção da sustentabilidade ambiental. A sua atuação diária, desde a gestão de resíduos até ao consumo energético, pode contribuir para a redução da pegada de carbono do setor da saúde. Ao adotarem práticas mais sustentáveis, as farmácias não só minimizam o impacto ambiental da sua atividade, como também sensibilizam a população para comportamentos mais responsáveis.
Partilhando as crescentes preocupações com os efeitos negativos que os medicamentos podem causar no ambiente e, consequentemente, na saúde pública, são agentes-chave para aumentar a consciencialização, promover a utilização racional e garantir a eliminação correta dos medicamentos. É fundamental assegurar um equilíbrio entre a utilização segura e eficaz dos fármacos e a redução dos impactos ambientais associados. 1
As farmácias podem contribuir para a mitigação das alterações climáticas através da redução das emissões de gases com efeito de estufa, promovendo práticas de descarbonização e eficiência energética, privilegiando fontes renováveis como solar ou eólica. Paralelamente, podem adotar medidas de adaptação para aumentar a resiliência a fenómenos extremos, como incêndios ou inundações, garantindo infraestruturas e processos mais seguros e sustentáveis.
No âmbito do uso de recursos e da economia circular, as farmácias devem otimizar o fluxo de entrada de materiais, privilegiando produtos e embalagens sustentáveis, e implementar estratégias eficazes de gestão de resíduos, reduzindo desperdícios e promovendo a reciclagem. Estas ações reforçam o papel das farmácias como agentes ativos na promoção da sustentabilidade ambiental e na construção de um futuro mais verde e saudável. A promoção da sustentabilidade ambiental nas farmácias é, por isso, uma oportunidade para liderar pelo exemplo, reforçando o compromisso com um futuro mais verde, saudável e resiliente.
1. Best Practice Paper on Green and Sustainable Pharmacy in Europe, PGEU (2021).